sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Boa forragem de mato seco


Boa forragem de mato seco

Embrapa Semiárido
Boa forragem de mato seco
Agricultores amoniam palha seca
Está certo que os caprinos são animais resistentes, os mais adaptados aos rigores do ambiente semiárido nos períodos de estiagem. Contudo, não precisam ser deixados à própria sorte quando a seca avança sobre o sertão e a única abundância nas propriedades são os restos de culturas, galhos e gravetos ressequidos. Com um pouco de recursos, o criador pode transformar este material endurecido, sem qualquer valor nutricional, em uma boa foragem para bodes e cabras.

O melhor é que nesta alteração não está envolvido qualquer insumo técnico sofisticado ou complexo. A recuperação da qualidade forrageira de mato seco, em especial as palhas de culturas perdidas nas roças, é um processo simples que envolve água e uréia. Misturados e acondicionados em uma lona plástica, a uréia se transforma em amônia, um gás que tem a capacidade de amolecer o material endurecido pela seca e ainda recuperar parte da sua proteína. Esta técnica é conhecida como amoniação.

Barato - Segundo o engenheiro agrônomo Cândido Roberto de Araújo, um capim verde pode chegar a ter 11% de proteína bruta. Na seca, este valor cai para 2-3% - valor bem abaixo dos 8%, o mínimo que um animal precisa ingerir por dia e se manter em condições de não definhar seu potencial produtivo de leite e carne, além de dar crias saudáveis. Tratado com a mistura de água e uréia, o capim seco não voltaria a ter o teor de proteína que teria na ápoca da chuva mas atingiria o teor mínimo para garantir ao animal bom desempenho agronômico, explica.

Para quem não fez silo ou feno no tempo das chuvas, esta é uma alternativa barata, fácil de fazer e que engorda os animais, afirma do engenheiro agrônomo Elder Manoel de Moura Rocha, responsável pela Área de Comunicação e Negócios da Embrapa Semiárido. Nos períodos mais intensos da seca, recorrer a esta técnica de amoniação é uma boa decisão para melhorar a dieta dos seus rebanhos, garante.

No dia de campo realizado na comunidade de Santiago, município de Bela Vista – PI, o agricultor Francisco Barbosa Coelho afirmou que o capim quando ficava seco era como se não servisse para nada. “Lá na roça era todo perdido, nunca achei que daria para fazer comida”. Do tanto de material que poderia juntar de mato seco ele estima que daria para preparar uns 200 kg desse material e passar pela amoniação. “Ia melhorar bastante a condição do criatório nesses dias de seca”.

Outro agricultor, José Joaquim Marques, acha que poderia amoniar uns 500 kg com o que tem na sua roça de palha de milho e capim. Ele também diz desconhecer que pudesse aproveitar um material tão seco e endurecido como o que se vê nas roças vários meses após passar o tempo das chuvas no sertão. “Do jeito que estou vendo vai dar aproveitar até galho fino. É uma técnica que pode nos ajudar muito a manter o rebanho em boas condições e não deixar os bichos sofrerem quando faltar a forragem do silo e do feno”.

Como fazer – Na mistura da água e uréia, o agricultor precisa estar atento às quantidades de cada um dos produtos. Cândido Roberto explica que a solução é feita na proporção de 1 kg de uréia para 5 litros de água, no mínimo. Ela deve ser aplicada à base de 5% do material a ser tratado. Este material deve ser triturado ou quebrado e arrumado sobre uma lona plástica em camadas compactadas de aproximadamente 30 cm. Sobre cada uma delas se derrama a solução. Ao final, é só fechar a lona deixando um pouco folgada e sem nenhum vazamento para que o gás de amônia não escape e atue para amolecer a palhada.

Esta lona só deve ser aberta 21 dias após a data que foi fechada. Neste momento o agricultor precisa ter cuidado para não respirar o gás que está contido nela. Da mesma forma, deve adotar algumas precauções no fornecimento do material amoniado para os animais. Os técnicos da Embrapa recomendam que, antes de serem oferecidas para os animais consumirem, é necessário deixar a forragem em repouso de um dia para o outro. Esta é uma forma de se assegurar a evaporação do excesso de gás do alimento.

Elder Moura explica que ao ser aberta a lona a palhada estiver com uma coloração escurecida e consistência macia é sinal que o gás não escapou e a amoniação deu certo. As quantidades a serem colocadas para o consumo dos rebanhos é outro aspecto a ser bem observado. Ele orienta que a porção de consumo adequada é de 1,5 a 2% do peso vivo do animal. Bovinos, por exemplo, devem receber de 4 a 6 kg/cabeça/dia. No caso de caprinos e ovinos, a quantidade oferecida deve ser de 0,5 a 0,7 kg/cabeça/dia. O agricultor vai perceber logo o resultado na nutrição dos animais e na condição dos rebanhos, assegura.

Contato:

Elder Manoel de Moura Rocha – Área de Comunicação e Negócios para Transferência de Tecnologia

Marcelino Ribeiro

Embrapa Semiárido – 87 3862 1711

Suplementação de caprinos é tema do Programa Prosa Rural


Suplementação de caprinos é tema do Programa Prosa Rural

Embrapa Semiárido
Suplementação de caprinos é tema do Programa Prosa Rural
Concentrado precisa ser barato
Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Embrapa Semiárido e criadores da zona rural do município de Dormentes – PE, chegou à conclusão que nem sempre a dieta que faz o animal ganhar mais peso é a que dá mais renda à propriedade. O custo com os ingredientes da dieta é alto de forma que, ao ser diminuído da renda obtida pelo criador com a comercialização dos animais, o lucro cai bastante.
Este vai ser um dos temas apresentados no programa Prosa Rural dessa semana sobre “Engorda de cabritos com suplementos naturais”. Na entrevista gravada para o programa o engenheiro agrônomo José Nilton Moreira, pesquisador da Embrapa Semiárido, afirma que além do ganho de peso, o produtor também deve considerar os custos que tem com a compra de concentrados pois os animais que ganharam mais peso também fora os que deram uma despesa maior para os produtores.
Para José Nilton, os sistemas de criação de pequenos animais no semiárido têm, muitas vezes, como base de alimentação dos rebanhos, as plantas da caatinga. A pesquisa da Embrapa, porém, avalia a combinação das espécies forrageiras com rações suplementares que o produtor, geralmente, compra em casas de produtos agrícolas.
Nos testes realizados por pesquisadores e produtores foram registrados que embora os ovinos avaliados tivessem ganho de peso de até 191 gramas por dia o custo do concentrado (milho, farelo de soja e óleo), a renda do produtor foi de pouco mais de 87 reais por lote de 10 animais. Já com outra mistura utilizada (sorgo, resíduo de algodão, sal mineral e calcário calcítico), que levou os animais a ganharem 164 gramas por dia, resultou num ganho de mais de 133 reais por por lote de 10 animais. já que era mais barato para o agricultor.
“O produtor precisar olhar mais para o seu bolso e não apenas para o ganho de peso dos animais”, aconselha José Nilton Moreira, ao comentar os resultados do experimento. No programa Prosa Rural, o pesquisador chama a atenção dos agricultores familiares para a importância do uso da suplementação com concentrado, na criação dos animais, vendo o ganho de peso, mas sem perder de vista os custos dos alimentos.
Contatos:
José Nilton Moreira - Pesquisador
jmoreira@cpatsa.embrapa.br
Marcelino Lourenço Ribeiro Neto - Jornalista
marcelrn@cpatsa.embrapa.br
Embrapa Semi-Árdo - (87) 3862-1711

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ovinocultura de corte no Brasil e no mundo


Ovinocultura de corte no Brasil e no mundo
Autor: Bruna Nunes Marsigilio

  O Brasil apresenta condições geográficas e climáticas favoráveis à produção de carne ovina. Em 2010 o efetivo de ovinos no Brasil foi de 17.380.581 animais, apresentando um aumento de 3,4% quando comparado a 2009. Dentre as regiões brasileiras o Centro-Oeste apresentou maior crescimento em 2010, com 12,4%, seguido pela região Norte com 7,1%, Nordeste com 3,0%, Sudeste com 2,6% e Sul com 1,6%. A região Nordeste, apesar de não ter apresentado o maior crescimento em 2010 é a região que possui o maior efetivo de ovinos para produção de carne e leite, com 56,7% de todo o efetivo nacional (IBGE, 2010).
    A ovinocultura de corte no Brasil possui alto potencial de crescimento, já que a produção atual não atende a demanda do mercado consumidor, sendo necessária a importação do produto. Apesar de seu potencial de crescimento o efetivo de ovinos sofreu pouca alteração nos últimos anos. Isso ocorre, principalmente, devido a diversos fatores que afetam negativamente a estruturação da ovinocultura no Brasil. Dentre esses fatores estão: o sistema de produção, a escala de produção e constância do fornecimento, o padrão animal, o número de abatedouros e abates clandestinos, preços e importação. Além disso, a ovinocultura sofre com o problema da falta de informação de alguns pecuaristas, que associam a criação e manejo de ovinos às de bovinos e acabam fazendo um manejo equivocado e criando uma expectativa de produção e renda que nem sempre é alcançada, resultando em abandono e críticas a atividade, prejudicando o setor (Reis, 2009).
   O Brasil importa carne ovina, sendo o Uruguai o principal fornecedor. A carne ovina uruguaia compete em preço com a carne brasileira e ainda recebe um rótulo de carne especial, ou carne de qualidade superior. Essa competitividade da carne ovina importada afeta os preços pagos ao produtor, além disso, possuem uma maior aceitação dos consumidores em relação à carne ovina brasileira (Viana, 2008).
   Atualmente o consumo de carne ovina per capta no Brasil é de, aproximadamente, 0,7kg (FAO, 2007) e é muito baixo quando comparado ao consumo de carne bovina, de frango e suína, respectivamente, 36,5kg, 29,9kg e 10,5kg (Tupy, 2003). Mesmo com um consumo per capta baixo a produção no Brasil ainda não é suficiente, assim, o uso de estratégias que possam levar a um aumento no consumo pode tornar este setor ainda mais atrativo.
   Disponibilizar uma ampla variedade de cortes para que todas as classes sociais tenham acesso à carne ovina, estratégias de marketing e, principalmente, melhorar a estruturação da ovinocultura de corte, através da organização dos produtores e aplicação de sistemas de produção viáveis, fornecendo carne de qualidade ao consumidor, são os desafios da atual ovinocultura de corte no Brasil.
                                                              Fonte: Divulgação
    Macedo et al., 2000 pesquisaram diferentes sistemas de produção e observaram que a terminação dos cordeiros foi mais viável em confinamento, de acordo com a avaliação dos custos do sistema. O confinamento tem sido base das propostas de sistemas de produção para o Brasil, mas também se faz necessária a validação de sistemas a pasto e melhoramento genético animal para elevar a competitividade da carne ovina brasileira.
    No cenário mundial a ovinocultura também é promissora, estima-se um crescimento anual de 2,1% durante o período de 2005 a 2014 (FAO, 2007). 
    A Austrália e Nova Zelândia controlam o mercado internacional da carne e lã. No entanto, é esperado queda no número de cordeiros abatidos na Austrália, devido à má condição das pastagens e elevação no preço dos grãos, além disso, o aumento na demanda interna pode diminuir as exportações da Austrália em 7%.     
   Também é esperado queda na exportação da Nova Zelândia, aumento das importações dos Estados Unidos e estagnação das importações da União Europeia, que continua sendo o destino mais importante da carne ovina (FAO, 2009). 
   Este cenário é favorável a países emergentes na produção e exportação da carne ovina.